30/09/2017 às 08h09

STJ: empresário falido fica impedido para os atos do comércio após a sentença

Por Equipe Editorial

A recorrente sustenta que as expressões “data da decretação da  falência” (art. 9º, II) e “decretação da falência” (art. 124) devem ser interpretadas  à luz do princípio da publicidade que rege a prática de todos os atos processuais,  de modo que alcancem o significado de “data da publicação da sentença de  decretação da falência”.

Entretanto, como bem afirmou o MPF, a lei falimentar não  condicionou os efeitos da falência à publicação da sentença de quebra. Isso  decorre da própria natureza jurídica declaratória da sentença de falência, sendo  que “após sua edição, a pessoa, os bens, os atos jurídicos e os credores do  empresário falido são submetidos a um regime específico, diverso do regime  geral do direito obrigacional ” (COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de Direito  Comercial. 18 ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 324).

Data da Falência?

O propósito recursal é decidir sobre qual o momento que se considera decretada a falência para fins de atualização do crédito. De início, observa-se que essa tese de direito diz respeito à interpretação dos arts. 9º, II e 124 da Lei 11.101/05 (LFRE), que dispõe, respectivamente, acerca da habilitação de crédito pelo credor nos termos do art. 7º § 1º da LRFE e a exigibilidade de juros contra a massa falida após a decretação de falência. A partir dessas disposições legislativas, discute-se acerca da correta interpretação das expressões “data da decretação da falência” (art. 9º, II) e “decretação da falência” (art. 124), analisando se devem ser interpretadas à luz do princípio da publicidade que rege a prática de todos os atos processuais, de modo que alcancem o significado de “data da publicação da sentença de decretação da falência”.

Lei da Falência

Entretanto, observa-se que a lei falimentar não condicionou os efeitos da falência à publicação da sentença de quebra, que decorre da própria natureza jurídica declaratória da sentença de falência. Em análise sistemática da LFRE, percebe-se que desde a decretação da quebra o falido fica inabilitado para exercer qualquer atividade empresarial, além de perder o direito de administrar seus bens ou deles dispor. Além disso, verifica-se que quando há situação específica a ser regulada de modo diverso a LFRE dispõe expressamente quando o termo inicial será a publicação do pronunciamento judicial. Ademais, é importante verificar o tratamento paritário entre todos os credores, pois a suspensão da fluência dos juros e a antecipação do vencimento das obrigações do falido viabilizam a equalização dos créditos. Assim, em prol da igualdade, deve ser utilizada a mesma data limite (decretação da quebra) para atualização dos valores que hão de compor o quadro geral de credores.

Decisão STJ

No processo de falência, a incidência de juros e correção monetária sobre os créditos habilitados deve ocorrer até a decretação da quebra, entendida como a data da prolação da sentença e não sua publicação.

Fontes: Recurso Especial nº1.660198-SP, 3ª Turma TST, acórdão DJ-e 10/08/17.